5
Anlise de dados 
Imagine uma pesquisa que tenha feito 30 registros de observao de crianas, de meia hora cada
um deles, onde esto por escrito os inmeros comportamentos e atitudes observados nessas 
crianas. Imagine ainda outra pesquisa com 120 questionrios preenchidos de 25 questes em cada 
um ou ento 50 entrevistas com 20 questes abertas em cada uma.  um enorme conjunto de dados, 
no? 
O pesquisador poderia ir lendo cada um dos registros (questionrios e entrevistas), para ir extraindo 
suas concluses. Mas  bem provvel que, ao ler o ltimo, j tenha se esquecido dos contedos 
principais do primeiro. Neste sentido  que se prope a etapa de Anlise de Dados, onde o 
pesquisador dever organizar os dados chamados brutos, tornando-os legveis, prontos para 
oferecerem uma explicao, uma resposta do problema de pesquisa. 
Organizar os dados envolve, basicamente, quatro etapas: rever as categorias estabelecidas na 
previso de anlise, tabular os dados, represent-los em tabelas ou figuras e descrever as relaes 
entre os dados. 
5.1. Rever as categorias da previso de anlise 
Lembre-se que, antes de iniciar a coleta de dados, o pesquisa- dor estabelecia quais seriam as 
possveis relaes entre as variveis em estudo (p. 19) e, em seguida, estabelecia categorias para os 
valores que as variveis poderiam assumir (p. 20). 
Aps coletar os dados referentes a essas variveis, seus valores e relaes, seja atravs dos 
questionrios, entrevistas ou observao, 
o pesquisador dever rever as categorias previstas em funo dos dados obtidos, e manter, eliminar, 
modificar ou criar novas categorias. 
Suponha, por exemplo, uma pesquisa que investigue sobre a procedncia de rendas familiares 
(utilizando questionrios) e tenha estabelecido apenas duas categorias: provenientes do cabea-
docasal; provenientes de outras fontes, externas aos membros da famlia. 
Ao fazer uma questo aberta para obter esse dado, o pesquisa- dor percebe que cabea-do-casal 
 um termo ambguo e obsoleto: 
muitos casais faziam piadas, brincavam sobre quem seria o cabea-do-casal, e os dados 
mostravam que a renda familiar ora era procedente de ambos (marido e mulher), ora de um deles 
no considerado tradicionalmente o cabea-do-casal, ou ainda daquele considerado 
tradicionalmente o cabea-do-casal. Assim, os dados revelaram que, alm das categorias serem 
insuficientes, uma delas era pouco clara. Os dados sempre so o voto de Minerva para o julgamento 
do pesquisador acerca da adequao de suas categorias. 
5.2. Tabular os dados 
Tabular significa contar o nmero de vezes que apareceu uma determinada categoria (quando se 
trata de uma anlise quantitativa; trataremos mais adiante da anlise qualitativa). 
Um estudo observacional sobre interao me-criana elabora, por exemplo, as seguintes categorias 
de observao (Ramos, 1979) quanto ao desempenho verbal da me e criana (tipo de verbali 
zao): 
 declarao; 
 nomeao; 
 perguntas que exigem respostas verbais; 
 ordens que exigem respostas verbais; 
 vocativos; 
 exclamaes; 
 negao. 
A tabulao do nmero de vezes que tais categorias apareceram poderia ser feita para cada sesso de 
observao e poderia ser apresentada em quadros de tabulao, tal como o apresentado a seguir: 
1 Quando se trata do mtodo de observao,  preciso realizar observaes cursivas (corridas, no-
categorizadas) antes de se estabelecer categorias. 
36 
37 
Tipos de respostas verbais 
 declarao 
sesso 1 
I 
sesso 2 
sesso 3 
 
 nomeao 
z 
 
1zJ1 
Assim, com a tabulao feita, tem-se a idia da freqncia de aparecimento dos dados coletados, e tambm 
uma idia geral da maneira como eles respondem ao problema de pesquisa. 
Montoro, interessado no apoio do PT, j h algum tempo tenta atra-lo. Tal cacife decididamente falta ao senador Orestes 
Qurcia, que, embora imagine possvel uma reedio da virada, que o levou ao Congresso em 1974, estaciona num ndice 
que s lhe permite aspirar  conquista de uma sublegenda do PMDB. (Veja, 670: 15, 1981) 
5.3. 
Representao dos dados em figuras e tabelas 
Para uma melhor visualizao dos dados coletados e j tabu- lados, isto , para que se possa enxergar 
rapidamente que tendncia, que poro do total de dados cada categoria ocupa, os pesquisadores criaram 
recursos de representao denominados tabelas e figuras. 
Voc j deve ter visto muitas tabelas e figuras em artigos de revistas e jornais, e  bem provvel que, sem os 
mesmos, voc no 
tivesse compreendido muito bem o texto. 
A revista Veja, de 08.07.81, publicando um artigo sobre previses para as eleies de 82, a partir de uma 
pesquisa Veja-Gallup, apresenta vrias tabelas que ajudam na visualizao do contedo a que o texto se 
refere. Vejamos o texto primeiramente: 
Ao contrrio do que afirma em sucessivas entrevistas, o ex-presidente Jnio Quadros est longe de ser o candidato imbatvel 
dos anos 50: aparentemente arranhado por mais uma renncia  desta vez, ao PTB  ele j no est nos calcanhares do senador 
Franco Montoro, como sugeriam sondagens de opinio feitas  poca do seu barulhento reingresso na cena poltica. Bem votado 
no interior, o ex-governador Laudo Natel corre alguns corpos  frente de seus concorrentes do PDS, mas dificilmente ter 
chances de vitria sem a ajuda das sublegendas. Uma surpresa  o prefeito de So Paulo, Reynaldo de Barros, empatado com seu 
primo Adhemar de Barros Filho  com quem disputa o esplio eleitoral do ademarismo  e bem acima do vice-governador Jos 
Maria Marin, que est em campanha h alguns meses e utiliza regularmente a mquina administrativa estadual. 
Como Laudo, tambm Jnio e Montoro tm mais popularidade no interior do que na capital, uma tendncia que se inverte nos 
casos de Reynaldo de Barros, do ex-prefeito Olavo Setbal e do ex-dirigente sindical Lus Incio da Silva, o Lula, outra surpresa 
registrada pela pesquisa. O ndice que alcanou no lhe permite sonhar com o governo estadual. Mas melhora sensivelmente o 
cacife que poder levar  mesa de negociaes para a qual 
Sesses 
Logo a seguir, no artigo, os autores apresentam a tabela. Observem como fica mais fcil a visualizaO do 
contedo anteriormente colocado: ;1 
SO PAULO 
II 159 018 ete,10u2u;0] 
Veja, 670: 15, 1981. 
38 
(+ de 3000) 
H vrias formas de representao. Uma das mais freqentes  denominada grfico em curva (Rocha, 1971). Seus 
componentes so: 2 eixos, um vertical, chamado ordenada, e um horizontal, chamado abscissa. Esses eixos representam as 
duas variveis que esto sendo relacionadas. E muito importante que se obedea a uma proporo entre a ordenada e a 
abscissa para no se achatar demais a linha ou encolh-la tambm demais, O que se sugere  que a ordenada seja 75% 
ou 2/3 do tamanho da abscissa. 
Vejamos um exemplo. 2 No grfico da figura 5. 1 ternos nmero de matrculas nos cursos de Psicologia do Estado de So 
Paulo na ordenada e, na abscissa, temos os anos (de 1960 a 1980). 
Uma outra maneira de representar esses dados seria o histograma: ao invs de pontos, colocaramos retngulos 
justapostos  veja a figura 5.2. 
2 Por sua simplicidade de apresentao e relevncia do tema apresentado, 
todas as figuras e tabelas analisadas nesta seo foram extradas do artigo 
de Botom, S. A quem ns, Psiclogos, servimos, de fato? Psicologia, p. 1-15, 
1979. 
40 
Tanto o histograma como o grfico em curva servem para representar variveis ditas contnuas, isto , sua 
medida  seqenciada e tem uma ordem de ocorrncia, uma hierarquia (por exemplo: 
anos, idade, horas, altura etc.) (Kerlinger, 1975). 
Quando se trata de variveis no contnuas ou categorias nominais (Rocha, 1971), representam-se os dados 
em figuras denominadas diagramas em colunas, onde os retngulos no so justapostos, porque no h uma 
seqncia entre os valores da varivel representada. Vejamos o exemplo da figura 5 .3. 
A varivel tipo de servios em Psicologia  categrica, isto , no apresenta uma ordem hierrquica do tipo 
maior que ou menor que entre os seus valores, e, por isso, no pode ser representada em um histograma 
ou diagrama de barras. Deve ser representada em um diagrama de colunas. 
Uma terceira maneira de se representar dados  pela construo de tabelas. Quando so muitas as curvas e/ou 
categorias a serem representadas em um grfico, o que dificultaria sua leitura, opta-se pela tabela, embora as 
tendncias e flutuaes de variveis sejam visualizadas mais facilmente atravs dos grficos. 
o 
e 
E 
0 
o 
e 
E 
z 
(800) 
(12) (192) 
+ de 3.000 
u 
4d 
e 
E 
o. 
z 
1960 
3.000 
2500 
2.000 
1.500 
1.000 
1970 
Ano 
1975 
1980 
Figura 5.1. Nmero de matrculas nos Cursos de Psicologia do Estado de So Paulo de 1960 a 1975. (Fontes: Pastore, 1972; 
Melio, 1971; MEC, 1968; Secretaria da Educao e Cultura, 1975.) 
800 
233 
192 
Figura 5.2. 
1960 
Anos 
41 
3600 
3400 
3200 
3000 
2.800. 
2600 
2400. 
2.200 
 2.000 
1.800 
(5 1.600 
1.400 
1.200 
1.000 
800 
600 
400. 
200 
Salrio Psjco- Orienta- mnimo diagnstico o vocacional 
Figura 5.3. Mdia dos preos dos servios de psicologia em relao ao salrio mnimo no 2. semestre de 1978, em So Paulo. 
Os preos foram calciilados considerando 40 por cento sobre os preos de 1977, publicados pelo Sindicato dos Psiclogos de So 
Paulo. Os preos de sesso individual e sesso em grupo foram calculados considerando quatro sesses por ms  o preo na 
figura  mensal. (Fonte: Boletim do Sindicato dos Psiclogos de So Paulo, 2. semestre de 1977.) 
Uma tabela apresenta os seguintes componentes (acompanhe na tabela 5.1): 
d) casa, clula ou casela:  a parte da tabela formada pelo cruzamento de uma linha com uma coluna. Na tabela 
5. 1 as casas 
Tabela 5.1. Preo dos servios de psicologia na cidade de So Paulo. Modificado do Boletim Informativo do Sindicato dos 
Psiclogos de So Paulo 
(1977). 
so as mdias de preo e variaes em cada um dos tipos de servios (2.000,00, 300,00 a 4.500,00 etc). 
H, ainda, a fonte da tabela, isto , de onde foram extrados os dados. No caso da tabela que estamos analisando, a fonte j 
est explicitada no prprio ttulo: Boletim Informativo do Sindicato dos Psiclogos de So Paulo, 1977. 
Essas representaes de dados que aqui apresentamos so as mais freqentemente utilizadas pelos pesquisadores. No 
entanto, criatividade  uma qualidade bem-vinda em cincia e muitas outras formas de representao grfica podem ser 
criadas. 
Qualquer que seja a descrio, ela deve obedecer aos seguintes critrios: 
a) simplicidade  possibilitar uma anlise rpida do fenmeno representado na figura ou tabela; 
b) clareza; 
c) preciso. 
II 
1 
1 
Consulta Sesso Sesso 
individual em grupo 
a) ttulo: indica quais os dados que a tabela contm, a natureza do dado e a unidade numrica empregada. 
Coloca-se na parte superior da tabela. Na tabela a seguir (extrada de Botom, 1979), o ttulo : Preos dos 
servios de psicologia na cidade de So Paulo, conforme Boletim Informativo do Sindicato dos Psiclogos de 
So Paulo (1977). 
b) linha:  a parte da tabela que contm as informaes em horizontal. Na tabela 5. 1 a linha  Servios: 
Orientao Vocacional, Psicodiagnstico, Consulta, Sesso Individual, Sesso em Grupo. 
c) coluna:  a parte que contm as informaes na vertical. Na tabela 5. 1 a coluna : Preos: Mdia e Variao. 
5.4. Descrio das figuras e tabelas 
Embora as figuras e tabelas tenham significao prpria, independente de um texto que as descreva, o 
pesquisador dever ressaltar as informaes mais importantes que representam considerando o problema de 
pesquisa e a previso de anlise e excluindo detalhes. 
A seguir voc encontra a descrio da figura 5 . 3. 
42 
43 

Preos 
Mdia 
Servios 
Variao 
Orientao Vocacional 2.000,00 
300,00 
a 
4.500,00 
Psicodiagnstico 2.300,00 1 
500,00 
a 
3.500,00 
-1 
 
 
Consulta 400,00 
Sesso Individual 400,00 
 
Sesso em Grupo 300,00 
 

Na figura 5.3 podemos ver a relao entre o preo dos servios dos psiclogos e o salrio mnimo em So Paulo. Uma 
Orientao Vocacional ou um Psicodiagnstico custam, aproximadamente, dois salrios mnimos. Uma terapia individual custar 
um salrio mnimo e meio por ms, e em grupo mais de um salrio por ms. Uma consulta isolada custar mais de 30 por cento 
do salrio mnimo (Botom, 1979). 
A atividade final da etapa de Anlise de Dados consiste em relacionar os dados descritos, isto , comparar os 
resultados representados nas diferentes figuras e tabelas. Isto permite sumariar as principais concluses e 
encaminhar respostas ao problema de pesquisa. Vejamos um exemplo, em que se relaciona a figura 5. 1 e a 
figura 5.4. 
A figura 5.4 mostra uma acelerao bastante grande no nmero de Cursos de Psicologia existentes nesta dcada. Isto, alm de 
poder explicar a ocupao de tantos psiclogos com o ensino de psicologia (como vimos na figura 5.1) a partir de 1969, 
tambm anuncia um grande aumento no pessoal disponvel para prestar servios de psicologia. 
A figura 5.1 mostra este problema com mais clareza ao descrever o aumento na procura dos Cursos de Psicologia atravs do 
nmero de matrculas a cada ano. 
Parece que, alm de aumentar os Cursos de Psicologia, cada um deles tambm est aumentando a oferta de vagas (Botom, 
1979). 
0 
co 
-o 
co 
o, 
0 
o 
cl, 
E 
.0 
z 
Figura 5.4. Nmero de Faculdades de Psicologia no Estadtj de So Paulo, de 
1960 a 1975. (Fontes: Pastore, 1972; Mello, 1971; MEC, 1968; Secretaria 
da Educao e Cultura, 1975.) 
* No encontramos dados sobre 19(5. 
Tanto as descries como as relaes estabelecidas entre elas devem obedecer aos critrios de linguagem que 
vimos nas pginas 13 e 33 e serem sempre guiadas pela questo que a pesquisa pretende responder: Afinal,  a 
nica etapa da pesquisa onde os dados ficam disponveis, de maneira organizada, para que leitores 
interessados os consultem sempre que o quiserem. H pesquisadores que consideram a Anlise de Dados 
como a etapa mais estvel de todo o processo de pesquisa, no sentido de serem resistentes ao tempo: 
as interpretaes sobre os dados, sua relevncia social, seu significado cientfico podem mudar a qualquer 
instante, ao passo que os dados dessa pesquisa permanecem sempre os mesmos; inclusive, por sua 
estabilidade, servem de ponto de partida para eventuais discor dncia 
com outro pesquisador que interpreta esses dados. 
5.5. Anlise estatstica dos dados 
Para a colocao de pontos e valores em figuras e tabelas, o pesquisador pode proceder a algumas medidas, 
tais como as chamadas medidas de tendncia central (Kaplan, 1969): mdia aritmtica (ou apenas mdia), 
mediana etc. Utiliza, portanto, o recurso da estatstica descritiva (Siegel, 1975), que serve ao propsito de 
reduzir uma multiplicidade de dados a uma simplicidade manusevel. O que se deseja com a utilizao das 
estatsticas descritivas  um meio simples de caracterizar um conjunto de vrias grandezas como um todo, 
atravs de uma estimativa nica. 
Nos estudos de casos, por exemplo,  freqente o psiclogo clnico observar por muitos anos uma mesma 
pessoa registrando qualitativa e quantitativamente comportamentos de naturezas dif e- rentes. Em determinado 
momento, para que seja possvel extrair concluses a respeito do caso, ele sente a necessidade de sumariar 
esses dados, reuni-los, extraindo medidas representativas. Nesse sentido, as mdias percentuais extradas, 
recursos de estatstica descritiva, so extremamente teis. 
Uma outra maneira de se utilizar a estatstica em pesquisa  atravs da estatstica inferencial (Siegel, 1975).  a 
parte da estatstica que visa a tirar concluses sobre um grande nmero de eventos, com base na observao 
de apenas parte deles. Fornece meios para se formalizar e padronizar os processos para se tirar tais con 
cluses. 
E, em geral, aplicada em pesquisas com um grande nmero de sujeitos, e, de seus recursos, pesquisadores 
extraem os seguintes tipos de concluses: sobre a probabilidade de hipteses serem verdadeiras 
30 
25 
20- 
(23) 
(9) 
1960 
1965 1970 1975 1980 
Ano 
44 
45 
ou falsas, aceitas ou rejeitadas, sobre a probabilidade de uma classe de acontecimentos ocorrerem, sobre a 
significncia de diferenas entre grupos pesquisados etc. 
Segundo Siegel (1975), um problema comum de inferncia estatstica consiste em determinar, em termos de 
probabilidades, se as diferenas observadas entre duas amostras significam que sejam realmente diferentes 
entre si as populaes submetidas  amostragem. 
Trata-se de um assunto bastante complexo e nos currculos de faculdades de Psicologia h matrias de 
dedicao especial ao estudo de estatstica. 
Para os propsitos de nosso livro de introduo  pesquisa,  importante apenas que voc saiba ser a 
estatstica (tanto a descritiva como a inferencial) um instrumento freqentemente utilizado para se apresentar 
os resultados cientficos. 
E, mais do que apresentar resultados, quando se trata de realizar pesquisas com grandes nmeros de sujeitos, 
para se extrair concluses sobre a populao maior, a estatstica inferencial fornece, inclusive, regras para a 
coleta de dados. 
5.6. Anlise qualitativa e quantitativa dos dados 
Vimos, na pgina 120, como a concluso sobre a destinao de verbas para a edcao muda em funo do tipo de medida 
que se apresenta. Isto significa, portanto, que o fato de um fenmeno ser apresentado sob a forma numrica, com uma 
anlise quantitativa, no implica que ele seja desprovido de subjetividade de valores do pesquisador. Por outro lado, 
quando se extrai uma medida qualitativa no temos tambm a garantia de que se descrever o fenmeno mais 
profundameflte de maneira mais rica. 
A deciso de que tipo de anlise fazer  qualitativa ou quantitativa  no pode ser tomada com base nesses aspectos, a 
nosso ver, simplistas e errneos. 
So muitas as pesquisas em Psicologia que empregam medidas numricas e que so consideradas extremamente relevantes 
pelo tipo de fenmeno que estudam. E h, por sua vez, inmeros estudos descritivos, com anlises qualitativas extensas e 
bem elaboradas que trouxeram indiscutveis contribuies para o avano da Psicologia (Ramos, 1979). 
Temos sempre que analisar a relevncia de um estudo  luz dos critrios de relevncia social e cientfica vistos nas pginas 
11 e 12. 
E muito comum a impresso de que a pesquisa trata de dados quantitativos, numricos apenas, e que, portanto, no se 
adequa muito bem s cincias do homem. Tal impresso nos parece infundada e exige uma reflexo. 
Kaplan (1969) denomina a dicotomia que se faz entre qualidade e quantidade de mstica da qualidade e mstica da 
quantidade. O que, em geral, se pensa  que ambas so antitticas ou mesmo alternativas, ou que a anlise qualitativa seja 
mais rica, mais profunda que a anlise quantitativa, porque descreve o fenmeno em si, abordando seus aspectos mais 
relevantes. Na realidade, em ambas h um grau de abstrao, de subjetividade. As quantidades so quantidades de 
qualidades, e no  o fato de ser qualitativo ou quantitativo que vai decidir sobre a relevncia do fenmeno descrito. 
Quando se extrai uma medida numrica, tal como a porcentagem, est se selecionando apenas um aspecto do fenmeno e 
uma 
forma de medi-lo. Existe, portanto, uma abstrao. Uma escolha. 
Para estudo, ver Siegel, S. Estatstica No Paramtrica para as Cincias 
do Comportamento. So Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1975. 
47 
46 
